AVEIRO: CRIANÇA DE DOIS ANOS DE IDADE MORRE VÍTIMA DE AFOGAMENTO EM ENCHENTE

Ainda em profunda tristeza, o avô da criança, Hélio Gomes, fala da tragédia, que aconteceu por volta das 09h30 de segunda-feira (22). No início da semana, as crianças brincavam na cozinha da casa. Em um momento de descuido, Werley Daniel, de apenas dois anos de idade, caiu na água, mas ninguém viu. “Quando a minha esposa olhou, não viu mais o Daniel. Os meninos procuraram por todo lado, mas não acharam. Só depois, um menino saiu andando por dentro da água, atrás da cozinha, e encontrou o corpinho dele”, conta o avô, sem conseguir conter o choro. A avó da criança, que também está sob forte comoção, não conseguiu sequer conversar com a reportagem. A família também está abrigada na antiga vila de trabalhadores, na mesma casa onde residia antes de se mudar para o local onde aconteceu a tragédia. “Nós ‘tava’ morando lá há três meses”, complementa o avô. A casa onde a família da criança morava, na terceira rua da vila de Brasília Legal, município de Aveiro, está desocupada. Nem precisa dizer que, na área, a situação é crítica por causa da enchente. O desastre natural fez com que a Prefeitura remanejasse algumas famílias, que foram alojados em outros locais, principalmente em uma vila de uma madeireira desativada.

O pescador e a família tentam retomar a vida, mas uma tragédia como essa não se esquece tão fácil. Em Brasília Legal, é o que mais se comenta pelas ruas. O administrador distrital, Ailton Costa, diz que foi feito todo o possível para auxiliar a família, que foi remanejada e já está cadastrada para receber apoio social. Agora, são estudadas alternativas para auxiliar outras famílias que estão em situação de risco. Ele destaca, inclusive, a situação dos alunos que moram fora da vila e que não podem chegar à escola porque a estrada foi cortada.

O secretário de Obras e Infraestrutura também acompanha a equipe em um trabalho conjunto que envolve todas as secretarias. O objetivo é reunir o máximo de informações para traçar um diagnóstico preciso e embasar a decretação de estado de emergência, quando será possível conseguir ajuda, tanto do estado quanto da união.

Mais de 80% das comunidades de Aveiro estão na zona ribeirinha e todas enfrentam dificuldades no período do inverno. Só em Brasília Legal, mais de vinte famílias foram afetadas pela enchente. Elas já foram cadastradas e seus nomes estão sendo encaminhados para auxílio social. Na verdade, a pequena vila é uma ilha, e a água vem por todos os lados.

O trabalho de levantamento da situação das famílias é coordenado pela Defesa Civil municipal, que já fez todos os contatos necessários para reforçar a decretação de estado de emergência em Aveiro. Diante de um quadro de calamidade. “Essa é a única alternativa”, diz o coordenador da Defesa Civil, Felpe Freitas.

O coordenador para Defesa Civil do Consórcio Tapajós, Miguel Neto, também acompanha o trabalho. Segundo ele, todos os problemas decorrentes desses fatores naturais serão enfrentados em conjunto pelos municípios que compõem o pólo Tapajós. Mauro Torres

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